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Por que o Uruguai é um destino confiável para investimento florestal

Qualquer pessoa que compare países da região para investir em ativos reais de longo prazo termina se fazendo a mesma pergunta: quão seguro é o país onde meu capital vai estar durante os próximos 10 ou 20 anos? Na florestação, essa pergunta pesa mais do que em quase qualquer outro setor, porque o retorno depende de que as regras do jogo não mudem no meio do caminho. Este artigo repassa por que o Uruguai se consolidou como um dos destinos mais previsíveis da América Latina para esse tipo de investimento.

Estabilidade institucional, não conjuntural

O Uruguai não é um caso de “bom momento” passageiro. O país mantém uma trajetória democrática ininterrupta desde 1985 e se posiciona de forma consistente como o país melhor colocado da América Latina nos principais índices de Estado de Direito e de qualidade democrática. Para um investidor de longo prazo, isso importa mais do que qualquer projeção de rentabilidade pontual: é a garantia de que o marco legal sob o qual se assina um contrato hoje continuará vigente dentro de uma década.

Grau de investimento sustentado no tempo

O Uruguai acumula uma década consecutiva com classificação de grau de investimento por parte das principais agências internacionais, com uma nota que hoje se situa em BBB+ pela S&P. Isso não é um dado abstrato de macroeconomia: o grau de investimento reflete a capacidade do país de honrar compromissos e manter condições estáveis, o que reduz o risco-país que um investidor estrangeiro deve descontar ao avaliar qualquer projeto local.

Uma política florestal que transcende governos

Um dos fatores menos conhecidos fora do Uruguai é que o desenvolvimento do setor florestal não foi uma política de um governo pontual, mas um plano de Estado sustentado desde o início dos anos 90, quando foi lançado o primeiro Plano Nacional de Florestação. Governos sucessivos de diferentes orientações políticas mantiveram os incentivos fiscais orientados à florestação em solos de prioridade florestal, o que permitiu que o setor crescesse de forma contínua durante mais de três décadas até se tornar um dos principais setores de exportação do país.

Condições agronômicas de primeiro nível

Além do institucional, o Uruguai tem condições de solo e clima que o colocam entre os países com maior produtividade florestal do continente. O país está entre os principais produtores mundiais de Eucalipto por superfície plantada, com solos classificados especificamente para aptidão florestal e um regime de chuvas que sustenta ciclos de crescimento mais rápidos do que em boa parte do hemisfério norte.

Liderança em certificação e sustentabilidade

O Uruguai ocupa o primeiro lugar da América em porcentagem de florestas certificadas sob padrões internacionais como FSC (Forest Stewardship Council) e PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification). Isso não é um detalhe menor para um investidor institucional: cada vez mais compradores de madeira —e cada vez mais fundos com mandatos de sustentabilidade— exigem essa certificação como condição de compra ou de investimento, e o Uruguai já cumpre esse padrão de forma estrutural em boa parte de sua superfície florestada.

Infraestrutura industrial já instalada

Diferentemente de outros países da região onde o setor florestal depende de que se construa indústria de processamento, o Uruguai já conta com plantas de celulose de escala mundial e uma rede crescente de serrarias e plantas de produtos de madeira de engenharia. Isso significa que um projeto florestal novo não depende de que apareça comprador para sua produção: o mercado de destino já existe e segue em expansão.

Em resumo

O Uruguai combina algo pouco frequente na região: estabilidade política e jurídica de longo prazo, condições agronômicas de primeiro nível, uma política de Estado sustentada por mais de 30 anos e uma indústria de destino já consolidada. É a soma desses fatores —não um só— que explica por que o país se tornou um dos principais destinos de investimento florestal da América Latina, e por que a maioria dos grandes fideicomissos florestais da região escolheu nascer e crescer lá.

Este artigo tem fins informativos e não constitui assessoria de investimento. As condições macroeconômicas e regulatórias podem variar; recomenda-se verificar os dados vigentes no momento de avaliar qualquer projeto concreto.